Grito mudo
- CORRA! Foi a última coisa que Sofia me disse. Estávamos em um campo de batalha e haviam nos visto, Sofia avistou uma arma apontada para nós... Ela gritou e nós corremos, corremos por todo o campo aberto até entrar em uma floresta... Corri sem olhar para trás e corri com toda a minha força, podia escutar nossos passos apressados, esmagando os galhos secos contra o chão de terra úmida... Antes mesmo que pudéssemos alcançar a clareira que ficava a uns dez passos de onde havíamos adentrado na floresta, percebi que só escutava as minhas passadas... Minhas pernas não acompanhavam meus pensamentos e eu não conseguia parar de acelerar pela floresta, até bater em uma árvore e cair. Olhei para trás e não consegui avistar Sofia e ela não respodia aos meus chamados. Me levantei e corri de volta, chorosa. A floresta parecia um labirinto e eu não sabia ao certo qual direção seguir. E Sofia? Onde estava? COMO estava? E as armas apontadas para nós? Aonde se posicionavam agora? Corri durante cerca de uma hora (em círculos, creio eu), meu rosto estava úmido do choro, não conseguia encontrar Sofia e estava muito cansada, até que avistei seus cabelos dourados espalhados no chão... Corri em direção a ela, que parecia um anjo adormecido... Observei seu peito que descia e subia conforme sua respiração, ELA ESTAVA BEM! Coloquei sua cabeça em meu colo e em tentativas frustradas, tentei acordá-la. Já em prantos, senti algo quente penetrar pela minha calça jeans e atingir a minha perna, levantei sua cabeça cuidadosamente e vi o líquido vermelho e denso que encharcava minha calça e manchava os cabelos de Sofia. Ela tinha sido atingida, não consegui ver de imediato aonde tinham acertado, só conseguia ver muito sangue e sua respiração pesada. E SE EU GRITASSE? Alguém me ajudaria? Ou iriam atirar em mim também? Não me importava... Sofia estava morrendo, então gritei, coloquei meus pulmões para fora, mas ninguém parecia escutar, ou fingiam não escutar... Avistei uma poça d'água perto dali, pensei em pegar um pouco dela para lavar o rosto de Sofia, mas ao me aproximar, vi meu reflexo na água... EU ERA SOFIA, ou aquela era MINHA ALMA ensanguentada, jogada no chão, morrendo... E foi ai que o desespero cresceu em mim como uma praga, tomando conta de todo o meu corpo e mente... Tentei desesperadamente trazer minha alma de volta, mas o máximo que consegui foi soltar um grito abafado, que NINGUÉM ouviria, nem mesmo eu... Mal sabia eu que o campo de batalha era a minha vida e minha alma ESTAVA ferida e eu não poderia ser escutada, até ter ela de volta...
Por: Aoyama, Yasmin Hikari
PS: um corpo sem alma é como um carro sem combustível. ou como um cantor sem voz...
PS²: esse texto não é pessoal
PS³: eu costumo mentir sobre o que ou quem as coisas que eu escrevo são...
Por: Aoyama, Yasmin Hikari
PS: um corpo sem alma é como um carro sem combustível. ou como um cantor sem voz...
PS²: esse texto não é pessoal
PS³: eu costumo mentir sobre o que ou quem as coisas que eu escrevo são...

6 Comentários:
ximin rules ein <3 eu li o manuscrito mobem, to até emocioada *-* ficou lindo ximas !
véééi, ficou muitooo massa! adorei, gemeaa <3
Srta. Aoyama sempre me impressionando a cada aglomerado de palavras envoltas em emoção e sentimento... Eu disse e repito: VC É A MINHA ESCRITORA FAVORITA! EU AINDA VOU À SUA COLETIVA DE IMPRENSA PRA RECEBER SEU BEST-SELLER AUTOGRAFADO!!!!! UHUUUUL Luv U sweet!
eu amo vocês :D
Isso é do seu livro? Se for, imaginei. Se não, dá um ótimo livro. Sempre com otimos textos né dona yasmin, hoho.
Amo você:*
Lindo, lindo, orgulhinho *---*
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