Certas muralhas não resistem...
Cheiro de cigarro, bebida velha e roupa suja...
Havia dias que não saía de casa, especialmente de seu quarto.
Lixo espalhado pelo chão, a louça por lavar e a maquiagem borrada em seu rosto.
A tv ligada e ela adormecida no sofá, em meio á restos de comida e o jornal de ante ontem.
Sua vida era assim, ela queria assim, não fazia sentido viver sem ele.
Aquele papo que tanto defendia de ser uma mulher independente e não precisar de ninguém tinha ido por água abaixo assim que ele atravessou aquela porta, para nunca mais voltar.Um mar de solidão parecia inundar seu peito e tomar conta dela. Não tinha forças para levantar, para pensar, só chorar (e beber, beber muito).Sua caixa de mensagens estava cheia, o telefone sempre tocava, assim como o interfone. Mas ela não iria atendê-los, se o fizesse, de que adiantaria? Não seria ele, e ela precisava dele, só dele.As fotos espalhadas pela casa, o rastro de tristeza só ficava mais evidente. Seria o fim mesmo? Era assim que ela teria imaginado que as coisas acabassem?Num intervalo entre um porre e outro o alcool já havia tomado conta dela.. Bêbada e sem saber mais o que fazer, resolveu atender a campainha chata que a atormentava fazia uns cinco minutos. Aquele barulho estridente a deixava louca.- QUE FOI? Sua voz meio distorcida parecia mais grossa e muito mais agressiva.- AI! VOCÊ ESTÁ VIVA? ABRA ESSA PORTA AGORA! Era ele, mas o que ele estava fazendo aqui? Por que estava falando daquele jeito? Em uma questão de segundos, toda aquela tristeza se transformou em raiva, muita raiva.- NÃO VOU ABRIR A PORTA COISA NENHUMA, ME DEIXE EM PAZ! Bateu o interfone com tanta força contra a parede que o mesmo caiu despedaçado em cacos. Tristeza transformada em dor, dor transformada em lágrimas...Se encostou na porta do apartamente e caiu sentada, chorando copiosamente...De repente, uma batida apressada e nervosa soou da porta.- ABRA ESSA PORTA! ESTOU PREOCUPADO COM VOCÊ. E SE NÃO ABRIR, EU VOU ARROMBAR, NÃO ME IMPORTO QUE CHAME A POLÍCIA OU QUEM QUER QUE SEJA, EU VOU ENTRAR! Não fazia sentido não abrir a porta, ele iria entrar, quando aquele homem colocava uma coisa na cabeça, ela sabia que não podia mudá-lo. Apenas destrancou-a e, ainda sentada no chão, só se afastou um pouco.Assim que ouviu a fechadura se virar, ele abriu a porta rapidamente. Estava encharcado... Devia estar chovendo lá fora. E, por mais desajeitado que estivesse, estava lindo, incrivelmente lindo.Abaixou ao seu nível e não pode se conter, aquela raiva estava borbulhando dentro dela.Em meio ao choro desesperado e socos que dava em seu peito, ele a agarrou e a abraçou forte contra ele.- SAI DE PERTO DE MIM, POR QUE FOI EMBORA? AGORA NÃO VÊ QUE É TARDE DEMAIS? Ela falava e chorava, não sabia se ele podia entender... Havia tantas coisas que queria falar, mas não conseguia.- EU TE AMO. Enquanto ele dizia isso e ela o fitava pasma, uma lágrima caiu de seu olhar.Todas as paredes que havia construído em torno dela, caíram, todos os sentimentos ruins foram embora, e ela ficou ali, com o coração na mão que gritava: EU TE AMO TAMBÉM!Num estalar de dedos os olhares se entenderam, se abraçaram e deitaram ali mesmo, em cima daquela sujeira.Num pulo, ele se levantou, a pegou no colo e a levou para a cama, depois daquilo nunca mais se questionou por que ele havia ido embora, o que importava era que ele estava ali, naquele exato momento. E todo amor do mundo, era pequeno demais.Por: Aoyama, Yasmin Hikari
Havia dias que não saía de casa, especialmente de seu quarto.
Lixo espalhado pelo chão, a louça por lavar e a maquiagem borrada em seu rosto.
A tv ligada e ela adormecida no sofá, em meio á restos de comida e o jornal de ante ontem.
Sua vida era assim, ela queria assim, não fazia sentido viver sem ele.
Aquele papo que tanto defendia de ser uma mulher independente e não precisar de ninguém tinha ido por água abaixo assim que ele atravessou aquela porta, para nunca mais voltar.Um mar de solidão parecia inundar seu peito e tomar conta dela. Não tinha forças para levantar, para pensar, só chorar (e beber, beber muito).Sua caixa de mensagens estava cheia, o telefone sempre tocava, assim como o interfone. Mas ela não iria atendê-los, se o fizesse, de que adiantaria? Não seria ele, e ela precisava dele, só dele.As fotos espalhadas pela casa, o rastro de tristeza só ficava mais evidente. Seria o fim mesmo? Era assim que ela teria imaginado que as coisas acabassem?Num intervalo entre um porre e outro o alcool já havia tomado conta dela.. Bêbada e sem saber mais o que fazer, resolveu atender a campainha chata que a atormentava fazia uns cinco minutos. Aquele barulho estridente a deixava louca.- QUE FOI? Sua voz meio distorcida parecia mais grossa e muito mais agressiva.- AI! VOCÊ ESTÁ VIVA? ABRA ESSA PORTA AGORA! Era ele, mas o que ele estava fazendo aqui? Por que estava falando daquele jeito? Em uma questão de segundos, toda aquela tristeza se transformou em raiva, muita raiva.- NÃO VOU ABRIR A PORTA COISA NENHUMA, ME DEIXE EM PAZ! Bateu o interfone com tanta força contra a parede que o mesmo caiu despedaçado em cacos. Tristeza transformada em dor, dor transformada em lágrimas...Se encostou na porta do apartamente e caiu sentada, chorando copiosamente...De repente, uma batida apressada e nervosa soou da porta.- ABRA ESSA PORTA! ESTOU PREOCUPADO COM VOCÊ. E SE NÃO ABRIR, EU VOU ARROMBAR, NÃO ME IMPORTO QUE CHAME A POLÍCIA OU QUEM QUER QUE SEJA, EU VOU ENTRAR! Não fazia sentido não abrir a porta, ele iria entrar, quando aquele homem colocava uma coisa na cabeça, ela sabia que não podia mudá-lo. Apenas destrancou-a e, ainda sentada no chão, só se afastou um pouco.Assim que ouviu a fechadura se virar, ele abriu a porta rapidamente. Estava encharcado... Devia estar chovendo lá fora. E, por mais desajeitado que estivesse, estava lindo, incrivelmente lindo.Abaixou ao seu nível e não pode se conter, aquela raiva estava borbulhando dentro dela.Em meio ao choro desesperado e socos que dava em seu peito, ele a agarrou e a abraçou forte contra ele.- SAI DE PERTO DE MIM, POR QUE FOI EMBORA? AGORA NÃO VÊ QUE É TARDE DEMAIS? Ela falava e chorava, não sabia se ele podia entender... Havia tantas coisas que queria falar, mas não conseguia.- EU TE AMO. Enquanto ele dizia isso e ela o fitava pasma, uma lágrima caiu de seu olhar.Todas as paredes que havia construído em torno dela, caíram, todos os sentimentos ruins foram embora, e ela ficou ali, com o coração na mão que gritava: EU TE AMO TAMBÉM!Num estalar de dedos os olhares se entenderam, se abraçaram e deitaram ali mesmo, em cima daquela sujeira.Num pulo, ele se levantou, a pegou no colo e a levou para a cama, depois daquilo nunca mais se questionou por que ele havia ido embora, o que importava era que ele estava ali, naquele exato momento. E todo amor do mundo, era pequeno demais.Por: Aoyama, Yasmin Hikari

2 Comentários:
Sinceramente. O texto me envolveu, do tipo de estar escutando música no começo do texto, e no final perceber que ela ainda tava tocando, porque você nem tava mais ouvindo.
Muito bom.
Parabéns pelo blog.
Um beijo.
é sempre bom ouvir elogios, ainda mais vindo de pessoas que eu admiro! :)
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