terça-feira, 19 de maio de 2015

Eterno, imutável pesadelo

Lá de cima vejo as luzes vermelhas piscando, o farol alto.
Três figuras... me julgam, me condenam, roubam minha alma.
Vozes, apelos, um choro que não sai: eu perco a noção de espaço
Como nos tornamos tão imbecis? Sua voz cala o restante, me afaga
Então vamos, coração na mão e nó na garganta
Minha cabeça gira... e daqui pra frente? Quando vou retornar? Não sei... Nunca?
Ouço risos, sinto o deboche, me arrepia a pele
Assumo, arco com as consequência, assino embaixo: cometi.
Mais uma vez, vamos... cabeça entre as mãos e suor frio
Não me condeno, não passo a grade à minha frente
Letal: aconteceu! E então somos despejados de volta
Eu tremo e temo. Estamos nos mesmo barco, nos abraçamos
Temos que enfrentar o que nos aguarda sob a luz da sala
E vai doer, talvez até mais que o peso sobre os nossos pulsos naquele banco frio de concreto
Mas vai passar...
Os dias passam... as horas correm. A espera tormenta e vai perdurar, eu sei
Cada uma das quinhentas mil agulhas que perfuram meu corpo eu sinto, uma a uma
Eu tento, mas meus joelhos cedem e meu olhos escoam
O relógio grita e o calendário me impede: não sou mais até que cheguem à minha casa, só então poderei respirar novamente
Fico no aguardo, às custas da minha sanidade

Aoyama, Yasmin Hikari 

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial