sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Escute mais de perto.

Tudo o que ela precisava era uma dose de vodca (ou duas... ou dez) e de um cigarro de menta. Não podia suportar sozinha aquele vazio, especialmente quando ela estava cercada por pessoas mais vazias que ela. Procurava em abraços, abastecer a escuridão de sua mente, mas tudo o que conseguia era uma troca de calor rápida e passageira, que nada lhe preenchia. Era difícil encarar a realidade que se mostrava tão asquerosa (pra variar...). Ela não queria mais se sentir assim, mas nunca tinha se sentido de outra maneira (exceto no seu aniversário de quando era pequena, que sua mãe lhe abraçou pela primeira e ultima vez). Então como mudar, se ela não sabia como fazê-lo? Como se sentir de outra maneira, se ela nem sabia se isso existia? Era mito, conto de fadas, viver outra realidade (pelo menos para ela...).
Foi então levando os dias, que se tornavam meses e , infelizmente, viravam anos. O vazio aumentava, o abismo a consumia. Parou de lutar contra essa imensidão, muito maior que ela, há tempos atrás... Não iria ganhar essa batalha de qualquer jeito... pelo menos não sozinha.
Esperava agoniada por uma luz que lhe guiasse. Esperava ansiosa por algo que lhe envolvesse e arrancasse sua escuridão. Apesar de não saber viver na luz, queria tanto conhecer esse ambiente que era como se já soubesse a sensação. Sentia até o gosto de satisfação na ponta da língua se espalhar por seu organismo, dando injeções de adrenalina no seu corpo... Mas logo parava de sonhar, isso não era para ela. E então voltava, sacudia a cabeça... ia embora a esperança. "Não há nada que eu possa fazer, certo?" Ela dizia em voz alta, mas sabia que ninguém ia responder, ou até mesmo escutar...
"Você podia me encontrar. E é claro que há o que fazer... NÓS vamos fazer..." Ele pensava quando ela se indagava, mas ela não fazia a menor ideia...