quinta-feira, 28 de abril de 2011

Novo condutor.

Em meio ás lágrimas, maquiagem borrada e um desejo insano de se perder no mundo, ela pensou: 'não pode ser assim,você não está se tornando essa pessoa...' Mas era tarde demais. As mudanças já estavam feitas, os estragos não tinham reparos e as consequências: sem precedência. Não podia fugir do monstro que estava devorando sua alma e sua vontade de seguir em frente e ser uma boa pessoa. Talvez aquele fosse seu destino: não ter um coração ou sentimentos. Pois afinal, quando os tinha, lhe fizeram o favor de amargar a doçura daquilo tudo. Pesaram nela e em tudo o que sentia. Seu caráter fora corrompido. O brilho nos olhos virara escuridão. E afinal, estava sozinha, sem nenhuma mão pra segurar ou barra de vestido pra puxar. Suas rédeas foram tomadas por um outro alguém. Um alguém esse que vivia dentro dela e estava tomando forma rapidamente. Era como se ela tivesse saído de seu corpo e observasse tudo como uma espectadora acuada, que não podia fazer coisa alguma para ajudar a protagonista daquele filme que se tornava preto e branco.
Demorou para perceber que o papel principal era dela e aquela figura em posição fetal, a observando assustada, era uma mera projeção do seu passado sofrido, marcado por sentimentos demais, envolvimento demais... Decepções DEMAIS.
Então era ela, sua nova versão. E por mais dolorido que fosse, as mudanças estavam ali e eram pra ficar. MAIS, MAIOR, MELHOR: NOVO!

Por: Aoyama, Yasmin Hikari

domingo, 10 de abril de 2011

Ave de mau agouro

Acordou num pulo, depois de ter sonhado com coisas impossíveis.
Com uma sensação de ódio... de si mesma.
Das coisas que sentia e dos pensamentos que deixava invadir sua mente.
Não que ela pudesse evitá-los, mas nem ao menos tentava... E isso a frustrava num nível tão absurdo que ela tinha nojo da pessoa que via no espelho.
Ela não guardava rancor das pessoas que um dia a machucaram ou, de alguma forma, a decepcionaram.
Guardava rancor dela mesma, por ter se permitido acreditar, esperar...
Não era culpa de ninguém, somente dela.
Se algum dia ela se machucou, foi porque deixou. Simples.
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Mas não era tão simples assim.

Por: Aoyama, Yasmin Hikari