quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Perda da memória afetiva

Quando se começa a amar, se esquece o quanto isso custa!
O quanto amar é dolorido e pede paciência, muita paciência.
O quanto ele pede de nós e, se não consegue o que quer, arranca á força!
Não se lembram da parte que amar é difícil, ocupa teu tempo e consome teu sono.
Não se lembram dos olhos marejados nem da saudade constante...
Simplismente se esquecem, quando começam a amar...
Se esquecem que amar é se doar, mas se doar por inteiro.
E que se doar é a coisa mais díficil que você terá que fazer.
Porque junto com a doação vem o compromisso, vem a cobrança...
Junto com o compromisso vem o cíumes e o desejo de posse.
Vem junto também as decepções por esperar demais...
Se esquecem como se nunca tivessem amado antes, se esquecem de tudo o que sofreram...
Como não lembrar que juraram não amar de novo?
Como não lembrar que amar é sinônimo de sofrer?
Quando se começa a amar, se esquece ...
Mas não se esquece o quão bom é o cheiro de amar, a sensação de voar...
Nem das borboletas no estômago, as borboletas estão sempre ali!
Não se esquece do calor dos dedos entrelaçados e dos beijos apaixonados...
Afinal, como se esquecer?
Mas quando ama, se esquece!

Por: Aoyama, Yasmin Hikari

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ser o que não sou

Tenho alma de poeta.
Prefiro estar sozinha a ir balançar as minhas curvas na pista.
Prefiro tomar meu café no sossego da minha varando, lendo as entrelinhas de um livro que escrevi, aah as entrelinhas...
Digo isso por estar cansada de ser rodeada, digo isso porque amo estar rodeada.
Sou de todos, mas não sou de ninguém.
Minh'alma poeta é pra chorar.
Chorar e rir ao mesmo tempo, como a tempestade que cai num dia ensolarado.
É pra se alegrar na minha tristeza, por ter um tema a trabalhar.
É ser triste na alegria, por lembrar de como era bom ser triste, e aí ser triste de novo.
Tenho alma de poeta.
Gosto das músicas bregas que só agradam á mim e áquele quem a escreveu.
Gosto do silêncio do medo, da agonia da espera e da ânsia da chegada.
Gosto até das mentiras, gosto mais delas do que da verdade.
E gosto de inventar, criar, renovar, melhorar.
Tenho alma de poeta...
E nem poeta eu sou.

Por: Aoyama, Yasmin Hikari

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cama pra dois

-Boa noite, Mary Anne!
Sonhos bons já surgiam em meio aos seus pensamentos pertubados...
A calma já começava a se instalar no seu corpo, desfazendo os nós em seus ombros.
Os braços de Jack em volta dos seus a aquecia e tornava aquela noite fria mais fácil.
Seus pés enroscados nos dele estavam começando a adormecer, mas ela não deixaria aquela posição de completo contato com ele...
O êxtase do toque lhe entorpecia a cabeça e proporcionava um imenso prazer.
Estava aonde devia estar, como queria estar e melhor que isso, estava com quem queria estar.
Seus olhos, já quase fechados, encontraram os dele...
-Boa noite, Jack B.!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Certas muralhas não resistem...

Cheiro de cigarro, bebida velha e roupa suja...
Havia dias que não saía de casa, especialmente de seu quarto.
Lixo espalhado pelo chão, a louça por lavar e a maquiagem borrada em seu rosto.
A tv ligada e ela adormecida no sofá, em meio á restos de comida e o jornal de ante ontem.
Sua vida era assim, ela queria assim, não fazia sentido viver sem ele.
Aquele papo que tanto defendia de ser uma mulher independente e não precisar de ninguém tinha ido por água abaixo assim que ele atravessou aquela porta, para nunca mais voltar.Um mar de solidão parecia inundar seu peito e tomar conta dela. Não tinha forças para levantar, para pensar, só chorar (e beber, beber muito).Sua caixa de mensagens estava cheia, o telefone sempre tocava, assim como o interfone. Mas ela não iria atendê-los, se o fizesse, de que adiantaria? Não seria ele, e ela precisava dele, só dele.As fotos espalhadas pela casa, o rastro de tristeza só ficava mais evidente. Seria o fim mesmo? Era assim que ela teria imaginado que as coisas acabassem?Num intervalo entre um porre e outro o alcool já havia tomado conta dela.. Bêbada e sem saber mais o que fazer, resolveu atender a campainha chata que a atormentava fazia uns cinco minutos. Aquele barulho estridente a deixava louca.- QUE FOI? Sua voz meio distorcida parecia mais grossa e muito mais agressiva.- AI! VOCÊ ESTÁ VIVA? ABRA ESSA PORTA AGORA! Era ele, mas o que ele estava fazendo aqui? Por que estava falando daquele jeito? Em uma questão de segundos, toda aquela tristeza se transformou em raiva, muita raiva.- NÃO VOU ABRIR A PORTA COISA NENHUMA, ME DEIXE EM PAZ! Bateu o interfone com tanta força contra a parede que o mesmo caiu despedaçado em cacos. Tristeza transformada em dor, dor transformada em lágrimas...Se encostou na porta do apartamente e caiu sentada, chorando copiosamente...De repente, uma batida apressada e nervosa soou da porta.- ABRA ESSA PORTA! ESTOU PREOCUPADO COM VOCÊ. E SE NÃO ABRIR, EU VOU ARROMBAR, NÃO ME IMPORTO QUE CHAME A POLÍCIA OU QUEM QUER QUE SEJA, EU VOU ENTRAR! Não fazia sentido não abrir a porta, ele iria entrar, quando aquele homem colocava uma coisa na cabeça, ela sabia que não podia mudá-lo. Apenas destrancou-a e, ainda sentada no chão, só se afastou um pouco.Assim que ouviu a fechadura se virar, ele abriu a porta rapidamente. Estava encharcado... Devia estar chovendo lá fora. E, por mais desajeitado que estivesse, estava lindo, incrivelmente lindo.Abaixou ao seu nível e não pode se conter, aquela raiva estava borbulhando dentro dela.Em meio ao choro desesperado e socos que dava em seu peito, ele a agarrou e a abraçou forte contra ele.- SAI DE PERTO DE MIM, POR QUE FOI EMBORA? AGORA NÃO VÊ QUE É TARDE DEMAIS? Ela falava e chorava, não sabia se ele podia entender... Havia tantas coisas que queria falar, mas não conseguia.- EU TE AMO. Enquanto ele dizia isso e ela o fitava pasma, uma lágrima caiu de seu olhar.Todas as paredes que havia construído em torno dela, caíram, todos os sentimentos ruins foram embora, e ela ficou ali, com o coração na mão que gritava: EU TE AMO TAMBÉM!Num estalar de dedos os olhares se entenderam, se abraçaram e deitaram ali mesmo, em cima daquela sujeira.Num pulo, ele se levantou, a pegou no colo e a levou para a cama, depois daquilo nunca mais se questionou por que ele havia ido embora, o que importava era que ele estava ali, naquele exato momento. E todo amor do mundo, era pequeno demais.Por: Aoyama, Yasmin Hikari

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Grito mudo

- CORRA! Foi a última coisa que Sofia me disse. Estávamos em um campo de batalha e haviam nos visto, Sofia avistou uma arma apontada para nós... Ela gritou e nós corremos, corremos por todo o campo aberto até entrar em uma floresta... Corri sem olhar para trás e corri com toda a minha força, podia escutar nossos passos apressados, esmagando os galhos secos contra o chão de terra úmida... Antes mesmo que pudéssemos alcançar a clareira que ficava a uns dez passos de onde havíamos adentrado na floresta, percebi que só escutava as minhas passadas... Minhas pernas não acompanhavam meus pensamentos e eu não conseguia parar de acelerar pela floresta, até bater em uma árvore e cair. Olhei para trás e não consegui avistar Sofia e ela não respodia aos meus chamados. Me levantei e corri de volta, chorosa. A floresta parecia um labirinto e eu não sabia ao certo qual direção seguir. E Sofia? Onde estava? COMO estava? E as armas apontadas para nós? Aonde se posicionavam agora? Corri durante cerca de uma hora (em círculos, creio eu), meu rosto estava úmido do choro, não conseguia encontrar Sofia e estava muito cansada, até que avistei seus cabelos dourados espalhados no chão... Corri em direção a ela, que parecia um anjo adormecido... Observei seu peito que descia e subia conforme sua respiração, ELA ESTAVA BEM! Coloquei sua cabeça em meu colo e em tentativas frustradas, tentei acordá-la. Já em prantos, senti algo quente penetrar pela minha calça jeans e atingir a minha perna, levantei sua cabeça cuidadosamente e vi o líquido vermelho e denso que encharcava minha calça e manchava os cabelos de Sofia. Ela tinha sido atingida, não consegui ver de imediato aonde tinham acertado, só conseguia ver muito sangue e sua respiração pesada. E SE EU GRITASSE? Alguém me ajudaria? Ou iriam atirar em mim também? Não me importava... Sofia estava morrendo, então gritei, coloquei meus pulmões para fora, mas ninguém parecia escutar, ou fingiam não escutar... Avistei uma poça d'água perto dali, pensei em pegar um pouco dela para lavar o rosto de Sofia, mas ao me aproximar, vi meu reflexo na água... EU ERA SOFIA, ou aquela era MINHA ALMA ensanguentada, jogada no chão, morrendo... E foi ai que o desespero cresceu em mim como uma praga, tomando conta de todo o meu corpo e mente... Tentei desesperadamente trazer minha alma de volta, mas o máximo que consegui foi soltar um grito abafado, que NINGUÉM ouviria, nem mesmo eu... Mal sabia eu que o campo de batalha era a minha vida e minha alma ESTAVA ferida e eu não poderia ser escutada, até ter ela de volta...

Por: Aoyama, Yasmin Hikari

PS: um corpo sem alma é como um carro sem combustível. ou como um cantor sem voz...
PS²: esse texto não é pessoal
PS³: eu costumo mentir sobre o que ou quem as coisas que eu escrevo são...